Era uma vez um camponês que foi a floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Coloco-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
- De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu criei como galinha.
Ela não é mas uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão.
- Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar ás alturas. - Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: - já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou:
- Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!
- Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia.
E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe!
Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês sorriu e voltou à carga:
- Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
- Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma ultima vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:
- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!
A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergue-se, soberana, sobre se mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou... voou... até confundir-se com o azul do firmamento...
E Aggrey terminou conclamando:
- Irmãos e irmãs, meus compatriotas! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus! Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E muitos de nós ainda acham que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias. Por isso, companheiros e companheiras, abramos as asas e voemos . Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar.
(Autor: Leonardo Boff)
Quem conta um conto, ganha um ponto!
o trabalho de contação de histórias possibilita uma viagem por espaços mágicos, habitados por príncipes, princesas, reis, rainhas, fadas, bruxas malvadas, animais falantes, gnomos, duendes, meninos, meninas, enfim, coisas de outros mundo, ou até mesmo desse mundo, só que contadas com um toque de encanto e fantasia.
Leia mais!!!
Desvende o maravilhoso mundo da leitura
terça-feira, 12 de abril de 2011
O pequeno princípe
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. - Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? - perguntou o pequeno príncipe.
- É preciso ser paciente - respondeu a raposa. - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis - disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! - disse ele.
- Vou - disse a raposa.
- Então, não terás ganho nada!
- Terei, sim - disse a raposa - por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
O pequeno príncipe foi rever as rosas.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus... - disse ele.
- Adeus - disse a raposa. - Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, para não se esquecer.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu ele, para não se esquecer.
- Os homens esqueceram essa verdade - disse ainda a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa...
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. - Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
- A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? - perguntou o pequeno príncipe.
- É preciso ser paciente - respondeu a raposa. - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis - disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! - disse ele.
- Vou - disse a raposa.
- Então, não terás ganho nada!
- Terei, sim - disse a raposa - por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
O pequeno príncipe foi rever as rosas.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus... - disse ele.
- Adeus - disse a raposa. - Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, para não se esquecer.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu ele, para não se esquecer.
- Os homens esqueceram essa verdade - disse ainda a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa...
— Que me diz do meu coração? — perguntou o Homem de
Lata.
— Quanto a isso — replicou Oz — acho que está bobeando. O
coração faz todo mundo infeliz. Se soubesse a sua sorte!...
— Isso deve ser uma questão de ponto de vista. Sou capaz de
agüentar toda a infelicidade deste mundo só para possuir um
coração.
[...]
Foi a vez do Homem de Lata dirigir-se à Sala do Trono.
— Para colocar-lhe um coração no devido lugar — disse-lhe
Oz — serei obrigado a abrir-lhe um buraco no peito. Espero que
não doa.
— Não sentirei nada — disse o lenhador, com certo orgulho.
Oz foi então buscar um par de tesouras de funileiro, com as
quais recortou uma pequena abertura no lado esquerdo do Homem
de Lata. Da gaveta duma cômoda retirou um lindo coração feito de
seda e estofado de serragem.
— Não é uma beleza?
— Lindo. Mas esse coração é bom... bondoso?
Oz, depois de tranqüilizá-lo, colocou-lhe o coração no peito,
recolocou o pedaço de estanho e soldou-o com cuidado.
— Pronto: você agora é dono dum coração de dar inveja a
qualquer homem. Desculpe o remendo.
(O Mágico de Oz - Lyman Frank Baum)
Lata.
— Quanto a isso — replicou Oz — acho que está bobeando. O
coração faz todo mundo infeliz. Se soubesse a sua sorte!...
— Isso deve ser uma questão de ponto de vista. Sou capaz de
agüentar toda a infelicidade deste mundo só para possuir um
coração.
[...]
Foi a vez do Homem de Lata dirigir-se à Sala do Trono.
— Para colocar-lhe um coração no devido lugar — disse-lhe
Oz — serei obrigado a abrir-lhe um buraco no peito. Espero que
não doa.
— Não sentirei nada — disse o lenhador, com certo orgulho.
Oz foi então buscar um par de tesouras de funileiro, com as
quais recortou uma pequena abertura no lado esquerdo do Homem
de Lata. Da gaveta duma cômoda retirou um lindo coração feito de
seda e estofado de serragem.
— Não é uma beleza?
— Lindo. Mas esse coração é bom... bondoso?
Oz, depois de tranqüilizá-lo, colocou-lhe o coração no peito,
recolocou o pedaço de estanho e soldou-o com cuidado.
— Pronto: você agora é dono dum coração de dar inveja a
qualquer homem. Desculpe o remendo.
(O Mágico de Oz - Lyman Frank Baum)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Leio e Recomendo!!!!!
Felicidade é algo que todos queremos ter e principalmente quando estamos no meio a frustrações. Falta a muita gente o prazer de viver.
A muita gente falta felicidade, que pode ser definida simplesmente como gosto pela vida. Eis aí um gosto gasto, que muitos precisam resgatar.
Não se trata de uma recuperação apenas da tranquilidade, porque ser feliz é estar tranquilo, em direção ao que não é efêmero, ao que não é passageiro.
A muita gente falta felicidade, que pode ser definida simplesmente como gosto pela vida. Eis aí um gosto gasto, que muitos precisam resgatar.
Não se trata de uma recuperação apenas da tranquilidade, porque ser feliz é estar tranquilo, em direção ao que não é efêmero, ao que não é passageiro.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Projeto Vem ler e contar Histórias
Projeto Vem Ler e Contar Histórias
PÚBLICO ALVO: Alunos matriculados no Ensino Fundamental I e II
DURAÇÃO: Março à Dezembro de 2011
1. JUSTIFICATIVA:
Verifica-se uma crescente necessidade em despertar nos educandos o gosto pela leitura. Neste sentido, o trabalho de contação de histórias possibilita uma viagem por espaços mágicos, habitados por príncipes, princesas, reis, rainhas, fadas, bruxas malvadas, animais falantes, gnomos, duendes, meninos, meninas, enfim, coisas de outro mundo, ou até mesmo desse mundo, só que contadas com um toque de encanto e fantasia.
Essa fantástica viagem pelo mundo da leitura auxilia no desenvolvimento do imaginário, da criatividade e até mesmo no auto conhecimento, uma vez que trabalha com as emoções de cada indivíduo. Destaca-se que este trabalho não se esgota ao término da contação de histórias, uma vez que os temas apresentados no texto contado podem ser trabalhados pelos professores em sala de aula.
Partindo deste ponto, a Escola Senador Carlos Jereissati optou por trabalhar no interior da escola o Projeto Vem Ler e contar Histórias, a fim de fomentar a vivência da leitura nas suas diferentes manifestações, despertando nas crianças um momento de debate das idéias centrais dos textos apresentados, estimulando o desenvolvimento do gosto pela leitura, bem como o senso crítico.
2. OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL:
Possibilitar ao educando o acesso a vários temas literários tornando-os seres competentes da escrita e da leitura e, cada vez mais, capacitá-los para uma efetiva participação social.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
• Utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas, especialmente nas mais formais: planejamento e realização de entrevistas, debates, seminários, diálogos, dramatizações, etc.
• Utilizar diferentes registros, inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente, sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam.
• Conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado.
• Compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social, interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz.
• Valorizar a leitura como fonte de informação, via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética, sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos;
• Utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem, sabendo como proceder para ter acesso, compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes; organizar notas; compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes; fazer resumos, índices, esquemas, etc.;
• Ampliar o repertório de histórias que elas conhecem.
Familiarizá-las com as histórias.
• Fazer com que construam o hábito de ouvir histórias e de sentir prazer nas situações que envolvem a leitura de histórias.
3. METODOLOGIA:
Para desenvolver o referido projeto, utilizaremos como metodologia: O uso de livros de literatura e clássicos infantis; Utilização de fantoches, objetos, músicas, elementos verbais e corporais. Este trabalho, desenvolvido desde o ano de 2009 nos permite visualizar que de certa forma, instiga a curiosidade dos alunos, impulsionando-os a outras buscas acerca do mesmo tema tratado nas histórias trabalhadas, bem como desenvolve suas relações e sentimentos com os demais alunos e professores.
Ao longo das semanas, objetivamos aumentar ainda mais o fluxo e a permanência dos alunos na Biblioteca, bem como o seu contato com a leitura, a fim de possibilitar ao aluno uma gama de informações e conhecimentos capazes de auxiliá-los no processo de ensino-aprendizagem, assegurando assim, a proposta de formar cidadãos integrais, críticos e participativos.
4. RECURSOS:
4.1 RECURSOS HUMANOS:
O Projeto Vem Ler e Contar Histórias é permanente e conta com a participação dos Amigos da Leitura, Programa Jornada Ampliada, Professora agente de Leitura, professores de música, Professores, coordenação pedagógica, duas bibliotecárias para orientações necessárias, Instituições parceiras, Diretora e Vice-diretora.
4.2RECURSOS MATERIAIS
A escola conta com um acervo de literatura infantil e infanto-juvenil de excelente qualidade, um laboratório de informática para pesquisas de obras mais detalhadas.
5. DURAÇÃO:
Projeto de Leitura e contação de histórias, totalizando uma carga horária mensal de 60 horas, divididas em 10 meses subdivididas em três fases:
FASE I: Divulgação e apresentação dos professores que atuarão no projeto, assim como seus parceiros que atuarão dentro da escola.
O levantamento do número de livros da biblioteca, onde o projeto pretende atuar podendo favorecer possíveis parcerias no empréstimo de livros. Paralelamente, inicia-se um cronograma de trabalho com a definição das ações culturais e educacionais e do número de participantes podendo assim facilitar o início das atividades.
FASE II: Estabelecimento de um cronograma em que se definirão as ações culturais e educacionais e os papéis de todas as pessoas que participariam do projeto. Abertura dos trabalhos com aula-show.
FASE III: Montagem de um musical envolvendo todas as habilidades trabalhadas no decorrer do ano com os educandos. Contação de histórias, artes, música e dança.
6. AVALIAÇÃO:
A avaliação será feita mensalmente com os dados quantitativos e qualitativos do desempenho dos alunos em relação à leitura e a escrita.
PÚBLICO ALVO: Alunos matriculados no Ensino Fundamental I e II
DURAÇÃO: Março à Dezembro de 2011
1. JUSTIFICATIVA:
Verifica-se uma crescente necessidade em despertar nos educandos o gosto pela leitura. Neste sentido, o trabalho de contação de histórias possibilita uma viagem por espaços mágicos, habitados por príncipes, princesas, reis, rainhas, fadas, bruxas malvadas, animais falantes, gnomos, duendes, meninos, meninas, enfim, coisas de outro mundo, ou até mesmo desse mundo, só que contadas com um toque de encanto e fantasia.
Essa fantástica viagem pelo mundo da leitura auxilia no desenvolvimento do imaginário, da criatividade e até mesmo no auto conhecimento, uma vez que trabalha com as emoções de cada indivíduo. Destaca-se que este trabalho não se esgota ao término da contação de histórias, uma vez que os temas apresentados no texto contado podem ser trabalhados pelos professores em sala de aula.
Partindo deste ponto, a Escola Senador Carlos Jereissati optou por trabalhar no interior da escola o Projeto Vem Ler e contar Histórias, a fim de fomentar a vivência da leitura nas suas diferentes manifestações, despertando nas crianças um momento de debate das idéias centrais dos textos apresentados, estimulando o desenvolvimento do gosto pela leitura, bem como o senso crítico.
2. OBJETIVOS
2.1 OBJETIVO GERAL:
Possibilitar ao educando o acesso a vários temas literários tornando-os seres competentes da escrita e da leitura e, cada vez mais, capacitá-los para uma efetiva participação social.
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
• Utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas, especialmente nas mais formais: planejamento e realização de entrevistas, debates, seminários, diálogos, dramatizações, etc.
• Utilizar diferentes registros, inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente, sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam.
• Conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado.
• Compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social, interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz.
• Valorizar a leitura como fonte de informação, via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética, sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos;
• Utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem, sabendo como proceder para ter acesso, compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes; organizar notas; compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes; fazer resumos, índices, esquemas, etc.;
• Ampliar o repertório de histórias que elas conhecem.
Familiarizá-las com as histórias.
• Fazer com que construam o hábito de ouvir histórias e de sentir prazer nas situações que envolvem a leitura de histórias.
3. METODOLOGIA:
Para desenvolver o referido projeto, utilizaremos como metodologia: O uso de livros de literatura e clássicos infantis; Utilização de fantoches, objetos, músicas, elementos verbais e corporais. Este trabalho, desenvolvido desde o ano de 2009 nos permite visualizar que de certa forma, instiga a curiosidade dos alunos, impulsionando-os a outras buscas acerca do mesmo tema tratado nas histórias trabalhadas, bem como desenvolve suas relações e sentimentos com os demais alunos e professores.
Ao longo das semanas, objetivamos aumentar ainda mais o fluxo e a permanência dos alunos na Biblioteca, bem como o seu contato com a leitura, a fim de possibilitar ao aluno uma gama de informações e conhecimentos capazes de auxiliá-los no processo de ensino-aprendizagem, assegurando assim, a proposta de formar cidadãos integrais, críticos e participativos.
4. RECURSOS:
4.1 RECURSOS HUMANOS:
O Projeto Vem Ler e Contar Histórias é permanente e conta com a participação dos Amigos da Leitura, Programa Jornada Ampliada, Professora agente de Leitura, professores de música, Professores, coordenação pedagógica, duas bibliotecárias para orientações necessárias, Instituições parceiras, Diretora e Vice-diretora.
4.2RECURSOS MATERIAIS
A escola conta com um acervo de literatura infantil e infanto-juvenil de excelente qualidade, um laboratório de informática para pesquisas de obras mais detalhadas.
5. DURAÇÃO:
Projeto de Leitura e contação de histórias, totalizando uma carga horária mensal de 60 horas, divididas em 10 meses subdivididas em três fases:
FASE I: Divulgação e apresentação dos professores que atuarão no projeto, assim como seus parceiros que atuarão dentro da escola.
O levantamento do número de livros da biblioteca, onde o projeto pretende atuar podendo favorecer possíveis parcerias no empréstimo de livros. Paralelamente, inicia-se um cronograma de trabalho com a definição das ações culturais e educacionais e do número de participantes podendo assim facilitar o início das atividades.
FASE II: Estabelecimento de um cronograma em que se definirão as ações culturais e educacionais e os papéis de todas as pessoas que participariam do projeto. Abertura dos trabalhos com aula-show.
FASE III: Montagem de um musical envolvendo todas as habilidades trabalhadas no decorrer do ano com os educandos. Contação de histórias, artes, música e dança.
6. AVALIAÇÃO:
A avaliação será feita mensalmente com os dados quantitativos e qualitativos do desempenho dos alunos em relação à leitura e a escrita.
Brasil, um país de poucos leitores
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada recentemente e encomendada ao Ibope pelo Instituto Pró-Livro, apresentou números reveladores: 77 milhões de brasileiros não leem livros regularmente. Abrangendo mais de 170 milhões de pessoas, ou seja, 92% da população, ela foi levantada em 311 municípios. Os números mostram que as mulheres leem mais que os homens e a Bíblia é a obra mais importante para os adultos.
Embora poucas pessoas saibam, no dia 29 de outubro é comemorado “O Dia Nacional do Livro”, data escolhida por representar a fundação da Biblioteca Nacional. Infelizmente, por não ser feriado, não é uma data lembrada, nem festejada, uma pena pois não podemos relegar a plano secundário a importância da leitura para a melhoria da cidadania e do desenvolvimento do país.
O aprimoramento da educação é fator essencial para resolver o problema da falta de leitura no Brasil, um país que tem 14 milhões de analfabetos entre 7 e 14 anos de idade. Aliás, é com a educação e somente com a educação que poderemos almejar uma Nação próspera e desenvolvida, dando plena capacidade de raciocínio e inteligência aos jovens. Na França, por exemplo, a média de leitura é de 10 livros por ano para cada cidadão, enquanto que aqui é de 4,7. É muito pouco para nos ombrearmos aos países mais desenvolvidos.
É um problema estrutural que deve ser enfrentado por todas as camadas da população. Levantamento do Sistema Nacional de Bibliotecas mostra que ainda restam 362 municípios que não possuem nenhuma biblioteca pública no Brasil (eram 1.300 em 2003). As regiões onde a situação é mais crítica são Norte e o Nordeste, onde, não por coincidência, os índices de leitura, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, também são os mais baixos do País. O estado em pior situação é o Piauí, onde nada menos do que 79 cidades não possuem esse serviço público essencial. Em seguida, aparecem a Bahia, com 67; a Paraíba, com 48; e o Rio Grande do Norte, com 28 cidades.
Os dados são preocupantes, mas parece ter sensibilizado as autoridades, pois representantes da Frente Parlamentar Mista da Leitura, reunidos no Congresso com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e dirigentes ligados ao meio literário discutiram soluções para o setor, durante o Seminário de Incentivo à Leitura no Brasil. Poderá ser criado, por decreto presidencial, o Fundo Pró-Leitura, uma forma de financiar as ações previstas no Plano Nacional do Livro e Leitura. O fundo seria uma contrapartida do setor livreiro, com aproximadamente 1% de seu faturamento anual e, se aprovado, pode gerar R$ 46 milhões por ano para as políticas oficiais de incentivo à leitura.
Agora resta aguardar que providências sejam tomadas e levadas a sério para que o Brasil deixe, também neste setor, de ocupar a triste estatística negativa dos últimos lugares, como acontece em outros segmentos da educação e da saúde. Esperamos as próximas pesquisas, torcendo para que os nossos números melhorem.
Embora poucas pessoas saibam, no dia 29 de outubro é comemorado “O Dia Nacional do Livro”, data escolhida por representar a fundação da Biblioteca Nacional. Infelizmente, por não ser feriado, não é uma data lembrada, nem festejada, uma pena pois não podemos relegar a plano secundário a importância da leitura para a melhoria da cidadania e do desenvolvimento do país.
O aprimoramento da educação é fator essencial para resolver o problema da falta de leitura no Brasil, um país que tem 14 milhões de analfabetos entre 7 e 14 anos de idade. Aliás, é com a educação e somente com a educação que poderemos almejar uma Nação próspera e desenvolvida, dando plena capacidade de raciocínio e inteligência aos jovens. Na França, por exemplo, a média de leitura é de 10 livros por ano para cada cidadão, enquanto que aqui é de 4,7. É muito pouco para nos ombrearmos aos países mais desenvolvidos.
É um problema estrutural que deve ser enfrentado por todas as camadas da população. Levantamento do Sistema Nacional de Bibliotecas mostra que ainda restam 362 municípios que não possuem nenhuma biblioteca pública no Brasil (eram 1.300 em 2003). As regiões onde a situação é mais crítica são Norte e o Nordeste, onde, não por coincidência, os índices de leitura, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, também são os mais baixos do País. O estado em pior situação é o Piauí, onde nada menos do que 79 cidades não possuem esse serviço público essencial. Em seguida, aparecem a Bahia, com 67; a Paraíba, com 48; e o Rio Grande do Norte, com 28 cidades.
Os dados são preocupantes, mas parece ter sensibilizado as autoridades, pois representantes da Frente Parlamentar Mista da Leitura, reunidos no Congresso com o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e dirigentes ligados ao meio literário discutiram soluções para o setor, durante o Seminário de Incentivo à Leitura no Brasil. Poderá ser criado, por decreto presidencial, o Fundo Pró-Leitura, uma forma de financiar as ações previstas no Plano Nacional do Livro e Leitura. O fundo seria uma contrapartida do setor livreiro, com aproximadamente 1% de seu faturamento anual e, se aprovado, pode gerar R$ 46 milhões por ano para as políticas oficiais de incentivo à leitura.
Agora resta aguardar que providências sejam tomadas e levadas a sério para que o Brasil deixe, também neste setor, de ocupar a triste estatística negativa dos últimos lugares, como acontece em outros segmentos da educação e da saúde. Esperamos as próximas pesquisas, torcendo para que os nossos números melhorem.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Era uma vez.....
Um Apólogo
Machado de Assis
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
Conheça o autor e sua obra visitando "Biografias".
Machado de Assis
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
Conheça o autor e sua obra visitando "Biografias".
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